Edição Atual

AV REVISTAS NÚMERO 2 – 2011/1

1 – O filme e a representação do real
Cristiane Freitas Gutfreind

Resumo: Esse texto tem por objetivo tentar compreender as transformações por que vem passando a idéia de representação e a significação do real no cinema. Para isso, analisaremos o papel do documentário apresentado em diferentes suportes e formas de escrituras.

2 – Sertões e favelas no cinema brasileiro contemporâneo: estética e cosmética da fome
Ivana Bentes

Resumo: Diferentemente de alguns cineastas que rejeitam qualquer comparação entre propostas atuais e experiências históricas, este texto oferece uma análise para se compreender o que muda em relação à estética e à linguagem cinematográficas do Cinema Novo para o cinema brasileiro recente, quando os filmes contemporâneos de grande sucesso foram apostar em temas caros ao Cinema Novo, como o sertão, para obter aceitação internacional.

3 – O cinema de Eduardo Coutinho: uma arte do presente
Consuelo Lins

Resumo: Filmar a palavra em ato, o presente dos acontecimentos e a singularidade dos personagens, sem propor explicações nem soluções: esses são os princípios do cinema documentário de Eduardo Coutinho, acrescido de mais um, nos seus trabalhos mais recentes: filmar em um espaço restrito, em uma favela específica (Santa Marta, Parque da Cidade, Babilônia) em um lixão (Boca de lixo). São princípios que fazem com que o cinema de Eduardo Coutinho, um dos maiores documentaristas brasileiros, seja um cinema do presente, mas um presente impuro, não apenas o da atualidade, mas o da rememoração ou evocação.

4- O dispositivo imersivo e a imagem-experiência
Victa de Carvalho

Início do texto: Partimos da premissa de que a formulação e o papel do dispositivo nas experiências das artes ditas imersivas vêm sofrendo modificações, à medida que acentuam tensões entre o real e o simulacro e abrem caminho para novas subjetividades. Diante dessa perspectiva de análise, pensar sobre o dispositivo imersivo e a experiência constitui também um modo de pensar o estatuto da imagem e do observador na contemporaneidade.
Este artigo sugere a transformação de um modelo de dispositivo imersivo baseado no desejo de ilusão ou de reprodução do real, para um dispositivo capaz de miscigenar ilusão e realidade e de promover experiências da ordem do virtual, indicando novos modos de experimentar a imagem. Nosso foco de análise está sobre o que se dá na relação entre dispositivo e sujeito, tendo em vista um dispositivo que deve ser explorado e evidenciado através do que chamamos aqui de uma “imagem-experiência” que se dá na duração dos deslocamentos.

5 – SIMBIOTECNOISES – Ruído, comunicação e entretenimento na cultura contemporânea
Vinícius Andrade Pereira
José Cláudio S. Castanheira
Rafael Sarpa

Resumo: A partir de uma breve análise da história do ruído em práticas musicais e sonoras que chegam até os dias atuais — como o noise japonês — este artigo propõe a criação do neologismo simbiotecnoise, a fim de contemplar dinâmicas materiais da comunicação e do entretenimento na contemporaneidade. O ruído será reavaliado, ainda, dentro de práticas culturais hodiernas, como um elemento capaz de gerar novos modelos de ordens — tal como proposto pela teoria da complexidade — que aqui se traduzem como padrões cognitivos e sensoriais emergentes.

6 – Algumas Histórias do Fotograma: 1) a Película Vista da Célula Cinematográfica
Marcelo Carvalho

Resumo: O cinema é inseparável de seu devir-fotograma. Mas, como suscitar as histórias do fotograma? Este artigo reivindica a existência das histórias do fotograma que sinalizariam para um devir-fotograma que correria no interior do cinema, como um fundo de imagem presente e, ao mesmo tempo, ausente. Na maior parte do tempo eclipsado, o fotograma, por vezes, pula para o primeiro plano, toma a tela, tornando-se ele próprio o cinema. Mas, como isso acontece? Interessa-nos considerar neste artigo alguns aspectos do fotograma como unidade geradora do cinema, isto é, considerá-lo como fotograma-genético. Partiremos da condição de existência do cinema para Gilles Deleuze para, então, perguntarmo-nos sobre tal função do fotograma nos primórdios do cinema, em Dziga Vertov e em Yasuhiro Ozu.

7 – VIDEOTRASH: o YouTube e a cultura do “spoof” na internet
Erick Felinto

Resumo: A expansão exponencial da internet como banco de dados tem favorecido a preservação e difusão de informação tradicionalmente considerada como descartável ou de pouco valor cultural. Vídeos pessoais, produções independentes, álbuns de fotografias ou trabalhos colegiais constituem apenas alguns exemplos do tipo de material que começa a multiplicar-se no espaço da rede. Esse excesso de informação “sem importância” cria, nas palavras de David Shenk (1997), uma espécie de “datasmog”, ou “nuvem de dados”, difícil de analisar e inédita na história da humanidade, antes caracterizada essencialmente pela escassez de informação. Dentre essa produção crescente, destaca-se a prática que vem sendo denominada como “spoof”, ou seja, as virtualmente infinitas variações paródicas em torno de produtos midiáticos de grande circulação, como comerciais e seriados de televisão. O objetivo deste trabalho é delinear o esboço de uma possível teoria do “lixo digital”, com base na observação das características dos “spoofs” disponibilizados em websites como YouTube e em sua consideração no contexto das poéticas da cultura tecnológica contemporânea.

Uma resposta para Edição Atual

  1. Esse texto do Erick Felinto sobre os Spoofs é muito relevante para a minha pesquisa. Eu escrevi algumas coisas baseado nele neste post:

    http://imagemusica.wordpress.com/2011/04/19/sobre-o-entretenimento-online/

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